Para que a tabela existe
O resumo no topo da simulação (total pago, total de juros, primeira e última parcela, economia) responde “quanto custa no agregado”. A tabela responde “o que acontece em cada mês”. Sem ela, um aporte no mês 12 e um aporte no mês 300 parecem o mesmo botão. Com ela, você vê o saldo despencar — ou quase não se mexer.
Bancos entregam demonstrativos parecidos, às vezes com nomes diferentes (encargos, principal, saldo atualizado). A correspondência não é um para um: seguros e tarifas que o banco inclui não aparecem aqui. Use a tabela deste site para entender o mecanismo; use o extrato oficial para decidir de verdade.
O que cada coluna significa
Nº é o número da prestação na simulação. Se você informou o saldo atual e as parcelas que faltam, o “1” é a próxima cobrança, não a primeira do contrato original. Data é o mês daquela linha, a partir do mês inicial que você escolheu.
Parcela é o valor da prestação calculada naquele mês (amortização + juros, com o efeito da correção quando houver). Não inclui o aporte extra: o extra tem coluna própria para não misturar o que é obrigação contratual com o que você colocou a mais.
Juros são o custo do dinheiro naquele período, em geral saldo anterior (já atualizado, se houver correção) vezes a taxa mensal. Amortização é a parte da parcela que abate o principal. Aporte é a amortização extra daquela linha. Correção é o valor de atualização monetária aplicado no mês, quando você selecionou um índice. Saldo é o que resta dever depois daquela linha.
- Parcela: prestação do sistema (Price ou SAC), sem o extra.
- Juros: cobrados sobre o saldo em aberto naquele mês.
- Amortização: abate o principal dentro da prestação.
- Aporte: valor extra lançado naquela parcela.
- Correção: atualização ilustrativa do índice escolhido.
- Saldo: principal que ainda resta depois da linha.
Exemplo linha a linha (Price)
No cenário de R$ 300 mil, 10% ao ano, 360 meses, Price e sem correção, a primeira linha mostra parcela de R$ 2.537,67, juros de R$ 2.392,24, amortização de R$ 145,43 e saldo de R$ 299.854,57. A conta de conferência é: 300.000,00 − 145,43 = 299.854,57. Os juros do mês 1 batem com o saldo inicial vezes a taxa mensal equivalente a 10% ao ano neste simulador (cerca de 0,7974%).
Na linha 12, a parcela continua R$ 2.537,67, os juros caíram um pouco (R$ 2.378,96) e a amortização subiu para R$ 158,71. O saldo é R$ 298.176,25. Depois de um ano inteiro de prestações, o principal recuou menos de R$ 2 mil. É isso que a tabela deixa explícito — e que o valor da parcela sozinho esconde.
Três pontos da tabela Price (R$ 300 mil, 10% a.a., 360 meses)
Sem correção e sem aporte. Valores arredondados em centavos.
- Mês 1 — parcela / juros / amortização / saldo
- R$ 2.537,67 / R$ 2.392,24 / R$ 145,43 / R$ 299.854,57
- Mês 12 — parcela / juros / amortização / saldo
- R$ 2.537,67 / R$ 2.378,96 / R$ 158,71 / R$ 298.176,25
- Mês 360 — parcela / juros / amortização / saldo
- R$ 2.543,00 / R$ 20,12 / R$ 2.522,88 / R$ 0,00
Cenário usado neste guia: R$ 300.000,00, 10% ao ano, 360 meses, sem correção monetária, seguros ou tarifas. Números gerados por este simulador em agosto de 2026. É uma projeção educativa — não é proposta de crédito nem a planilha oficial de um banco.
Como conferir os juros de um mês
Regra prática: juros do mês ≈ saldo da linha anterior × taxa mensal. Na SAC do mesmo cenário, o mês 1 tem juros de R$ 2.392,24 (igual à Price, porque o saldo inicial é o mesmo) e amortização de R$ 833,33. O saldo vai para R$ 299.166,67. No mês 12 os juros já são R$ 2.319,15 — menores, porque o principal caiu mais depressa.
Se você ligar um aporte, a conferência inclui a coluna Aporte: o saldo cai pela amortização da parcela mais o extra. No exemplo do guia de amortização extra, a linha 12 recebe R$ 20 mil a mais e o saldo da Price despenca de cerca de R$ 298 mil para cerca de R$ 278 mil naquela linha.
Pequenas diferenças de centavo entre a sua conta de cabeça e a tabela são normais: o simulador arredonda cada linha em centavos. Diferenças grandes costumam ser taxa no período errado (anual versus mensal) ou saldo inicial errado.
Por que a última parcela pode ser diferente
Depois de centenas de arredondamentos, sobra um residual. A última linha ajusta amortização e prestação para o saldo ir a zero. Na Price do exemplo, a última parcela é R$ 2.543,00 em vez de R$ 2.537,67. Não é correção monetária: é fechamento da tabela.
Com correção ligada, as últimas linhas podem variar muito mais, porque o índice ilustrativo empurra o saldo ao longo de décadas. Trate projeções longas com índice constante como exercício de sensibilidade, não como previsão — o guia de correção monetária explica o motivo.
Ordenar, exportar e usar no banco
Você pode ordenar colunas para achar, por exemplo, o mês em que a amortização da Price ultrapassa os juros, ou o mês em que um extra recorrente entra. O PDF reproduz o resumo e a tabela para você guardar ou comparar com o demonstrativo do banco.
Na reunião com o gerente, a tabela ajuda a fazer perguntas concretas: “neste mês o extra reduz prazo ou parcela?” e “este valor abateu só principal?”. Ela não substitui a simulação oficial, que pode incluir MIP, DFI, tarifas e o CET.