O que a SAC realmente mantém constante
O nome “amortização constante” se refere ao principal, não à prestação cheia. Em um contrato sem correção, a fatia que abate o saldo é a mesma em (quase) todos os meses: valor financiado dividido pelo número de parcelas. Os juros do mês são calculados à parte, sobre o saldo que ainda está em aberto.
A parcela que você paga é a soma dessas duas partes — amortização + juros — e, se o contrato tiver índice de correção, entra também o efeito desse índice. Como o saldo cai de forma previsível, os juros do mês seguinte já nascem menores. É por isso que a curva da SAC é decrescente: não porque o banco “desconta” a parcela, mas porque a base dos juros encolhe.
Na última prestação costuma haver um ajuste de centavos para zerar o saldo. Isso não muda a lógica do sistema; só evita que reste R$ 0,01 no fim da tabela.
Como montar a parcela na prática
Pegue um financiamento de R$ 300 mil em 360 meses. A amortização constante é 300.000 ÷ 360 = R$ 833,33 por mês (com arredondamento de centavos na última linha). Se a taxa equivalente for cerca de 0,7974% ao mês — correspondente a 10% ao ano neste simulador — os juros do primeiro mês ficam em R$ 2.392,24. A primeira parcela é então R$ 3.225,57.
No mês 12, a amortização continua R$ 833,33, mas os juros já caíram para R$ 2.319,15, e a parcela vai a R$ 3.152,48. No último mês a prestação cai para R$ 841,18, quase só amortização. Quem olha só a primeira parcela da SAC compara mal com a Price: o começo é mais caro, o fim é bem mais barato.
Exemplo: R$ 300 mil, 10% a.a., 360 meses, SAC
Projeção sem correção, seguros ou tarifas. Compare com o mesmo cenário na Tabela Price no guia correspondente.
- Amortização mensal do principal
- R$ 833,33
- 1ª parcela (juros + amortização)
- R$ 3.225,57
- Parcela no mês 12
- R$ 3.152,48
- Última parcela
- R$ 841,18
- Total de juros
- R$ 431.801,44
- Total pago
- R$ 731.801,44
Cenário usado neste guia: R$ 300.000,00, 10% ao ano, 360 meses, sem correção monetária, seguros ou tarifas. Números gerados por este simulador em agosto de 2026. É uma projeção educativa — não é proposta de crédito nem a planilha oficial de um banco.
Por que o total de juros costuma ser menor que na Price
Juros incidem sobre o saldo. Na SAC o principal cai mais rápido nos primeiros anos do que na Tabela Price com a mesma taxa e o mesmo prazo. O saldo médio ao longo do contrato fica menor; portanto a soma dos juros de todos os meses também tende a ficar menor.
No exemplo acima, a SAC gera R$ 431.801,44 de juros. A Price, com os mesmos R$ 300 mil, 10% ao ano e 360 meses, gera R$ 613.566,53 — cerca de R$ 181.765 a mais. Essa diferença não é “desconto”: é o preço de ter parcelas iniciais mais baixas na Price, deixando o saldo alto por mais tempo.
A comparação só é justa se taxa, prazo, valor e correção forem iguais, e se você lembrar que o banco pode precificar CET, seguros e condições de forma diferente em cada sistema. O simulador isola o sistema de amortização para deixar esse trade-off visível.
Quando a SAC pesa no orçamento
A primeira parcela da SAC no exemplo (R$ 3.225,57) fica cerca de R$ 688 acima da primeira parcela da Price (R$ 2.537,67). Em um financiamento longo, essa folga inicial importa: é no começo que também entram IPTU, mudança, móveis e, no imóvel, seguros obrigatórios que o simulador não inclui.
Se a prestação inicial da SAC estoura o teto que você se impôs — por exemplo 25% ou 30% da renda — a Price pode ser o caminho mais realista, mesmo custando mais juros no total. O contrário também vale: se cabe pagar mais no início, a SAC reduz o custo financeiro do contrato.
Outro ponto prático: a prestação da SAC muda todo mês. Para quem prefere um valor estável no aplicativo de contas, isso exige um pouco mais de acompanhamento. Com correção monetária, a curva deixa de ser simplesmente “sempre caindo” em reais nominais — o índice pode empurrar o saldo para cima enquanto a amortização constante tenta derrubá-lo.
- SAC tende a caber melhor quando há folga no começo do contrato e o objetivo é pagar menos juros no total.
- Price tende a caber melhor quando a prioridade é previsibilidade e uma entrada mensal menor.
- Sempre compare o CET e os seguros da proposta, não só a primeira parcela do sistema.
SAC no financiamento de veículos
Em automóveis o sistema mais frequente ainda é a Tabela Price, com parcela fixa. Alguns contratos ou refinanciamentos usam SAC ou variantes. Se a proposta do banco ou da financeira indicar SAC, selecione SAC neste simulador; se indicar Price, selecione Price. O site não “adivinha” o sistema pelo fato de ser imóvel ou veículo — você informa o que está no contrato.
Prazos de veículos são bem mais curtos (36, 48, 60 meses). A diferença de juros entre SAC e Price continua existindo, mas o efeito absoluto é menor do que em 30 anos de crédito imobiliário. Vale simular os dois só se as duas opções realmente estiverem na mesa.
Como simular SAC neste site
No formulário, escolha Tabela SAC, informe o valor do empréstimo ou o saldo que ainda deve, a taxa (mensal ou anual, como no contrato), a quantidade de parcelas e a data da próxima cobrança. Se o contrato tiver TR, poupança, IPCA ou um percentual definido, use o campo de correção — lembrando que TR, poupança e IPCA aqui são médias ilustrativas, não o índice oficial do mês.
Depois rode o mesmo cenário em Price e, se quiser, acrescente um aporte extra. Olhe o resumo (total de juros, primeira e última parcela) e a tabela mês a mês. Os resultados são educativos: o banco pode aplicar regras próprias de arredondamento, carência e seguros.