Guias de amortização

Tabela Price: parcelas estáveis, mais juros no começo e o custo de longo prazo

Atualizado em 18 de agosto de 2026.

A Tabela Price, também chamada de sistema francês, calcula uma prestação constante a partir da taxa e do prazo. A previsibilidade ajuda o orçamento: você sabe quanto reservar todo mês, antes de seguros e tarifas. O outro lado da moeda é a composição da parcela — nos primeiros anos o grosso vai para juros, e o principal demora a cair.

O que a Price mantém fixo — e o que muda por baixo

Sem correção monetária e sem mudança de taxa, a prestação calculada pela fórmula da Price é a mesma do mês 1 ao mês n. O que muda é a fatia interna: juros começam altos (saldo alto) e a amortização começa pequena. Com o tempo a composição inverte — sobra mais amortização e menos juros em cada prestação.

Isso não é um “truque” do banco. É aritmética: juros = saldo × taxa do período. Enquanto o saldo permanece alto, a maior parte da parcela fixa é consumida por juros, e só o resto abate o principal. Por isso, no extrato dos primeiros anos, muita gente se surpreende ao ver que pagou várias prestações e o saldo mal saiu do lugar.

Quando o contrato tem TR, poupança ou IPCA, a “parcela fixa” deixa de ser literalmente fixa em reais. A correção reajusta o saldo e, na prática dos bancos, a prestação também pode ser recalculada. Neste simulador você pode ligar um índice ilustrativo para ver a sensibilidade — não para prever o índice oficial de cada mês.

Exemplo: a mesma dívida, parcela menor no começo

No cenário de R$ 300 mil, 10% ao ano e 360 meses, a Price gera uma parcela de R$ 2.537,67 (a última linha pode variar alguns reais por arredondamento). No primeiro mês, R$ 2.392,24 são juros e só R$ 145,43 amortizam o principal. O saldo cai de R$ 300.000,00 para R$ 299.854,57 — menos de R$ 150 de abatimento depois de pagar mais de R$ 2.500.

Doze meses depois a parcela continua R$ 2.537,67, os juros estão em R$ 2.378,96 e a amortização em R$ 158,71. O saldo ainda é R$ 298.176,25. Ou seja: um ano de prestações e o principal mal recuou 0,6%. É exatamente nesse trecho que um aporte extra rende mais, porque corta um saldo que ainda está quase intacto.

Exemplo: R$ 300 mil, 10% a.a., 360 meses, Price

Projeção sem correção, seguros ou tarifas. A primeira parcela é menor que na SAC; o total de juros é maior.

Parcela (estável)
R$ 2.537,67
Juros no 1º mês
R$ 2.392,24
Amortização no 1º mês
R$ 145,43
Saldo após 12 meses
R$ 298.176,25
Total de juros
R$ 613.566,53
Total pago
R$ 913.566,53

Cenário usado neste guia: R$ 300.000,00, 10% ao ano, 360 meses, sem correção monetária, seguros ou tarifas. Números gerados por este simulador em agosto de 2026. É uma projeção educativa — não é proposta de crédito nem a planilha oficial de um banco.

Price versus SAC, lado a lado

Com os mesmos dados, a SAC começa em R$ 3.225,57 e termina perto de R$ 841; o total de juros fica em R$ 431.801,44. A Price começa e permanece perto de R$ 2.537,67, mas acumula R$ 613.566,53 de juros — cerca de R$ 181.765 a mais. Você troca uma entrada mensal mais baixa no início por um custo financeiro maior ao longo de 30 anos.

Não existe sistema “certo” no vazio. Existe o sistema que cabe no orçamento e o custo que você aceita. Se a diferença de R$ 688 na primeira parcela é o que permite fechar o financiamento sem sufoco, a Price pode ser racional. Se a SAC cabe e o objetivo é minimizar juros, ela leva vantagem neste recorte.

Bancos podem oferecer os dois sistemas com taxas ou CET diferentes. Compare sempre a proposta completa. Este simulador serve para isolar o efeito do sistema quando taxa e prazo são iguais.

Por que a Price é comum em veículos

Financiamento de automóvel costuma vir com parcela fixa em Price, prazos de 24 a 60 meses e taxa mensal explícita. Um exemplo educativo: R$ 50 mil, 1,5% ao mês, 48 parcelas. A prestação fica em R$ 1.468,75. No primeiro mês, R$ 750,00 são juros e R$ 718,75 amortizam. No total, os juros somam R$ 20.500,07 — o carro de R$ 50 mil custa R$ 70.500,07 se não houver entrada extra.

Prazos curtos deixam a diferença entre Price e SAC menos dramática em reais do que em 30 anos de imóvel, mas a composição no começo segue a mesma lógica. Se a financeira permitir amortização extra, testar um aporte no simulador mostra quanto daqueles R$ 20,5 mil de juros você consegue cortar.

Amortizar extra na Price muda a curva

Como o saldo demora a cair, antecipar principal no início da Price tem efeito grande. No mesmo cenário de R$ 300 mil, um aporte único de R$ 20 mil no mês 12, reduzindo prazo, corta 87 parcelas e cerca de R$ 200.976 de juros. O mesmo R$ 20 mil no mês 300, também reduzindo prazo, economiza só cerca de R$ 10.804 e 12 parcelas.

Se o mesmo aporte no mês 12 for usado para reduzir a parcela (mantendo 360 meses), a economia de juros cai para cerca de R$ 39.239. A lição não é “sempre reduza prazo”: é saber que a escolha do efeito e a data do aporte mudam a conta de forma mensurável. O guia de amortização extra detalha as duas alavancas.

Como simular Price neste site

Selecione Tabela Price, preencha valor ou saldo atual, taxa, período da taxa e prazo. Rode a simulação e abra a tabela: as colunas de juros e amortização mostram a inversão ao longo dos meses. Compare com SAC e teste aportes. Lembre que seguros, tarifas e o CET do banco não entram neste cálculo.

Se o contrato tiver correção, use o índice ilustrativo ou a taxa personalizada. A prestação deixa de ser um número único; o valor educacional é ver a direção do efeito, não prever o IPCA dos próximos 30 anos.

Perguntas frequentes

Simule com os seus números

Abra o simulador gratuito, escolha Price ou SAC, adicione aportes e veja a economia de juros na hora.

Ir para o simulador